As varizes pélvicas são uma causa frequente, porém muitas vezes negligenciada, de dor pélvica crônica em mulheres. Caracterizam-se por veias dilatadas e tortuosas ao redor do útero e ovários, funcionando de forma semelhante às varizes das pernas. Estima-se que até 15% das mulheres entre 20 e 50 anos sofram com esta condição.

Muitas pacientes passam anos consultando ginecologistas sem encontrar uma resposta definitiva, pois a dor pode ser confundida com endometriose ou cistos. O diagnóstico preciso requer o olhar de um cirurgião vascular. Se você sente peso na região pélvica que piora ao ficar em pé, este artigo é para você.

O que causa a Síndrome de Congestão Pélvica?

A principal causa das varizes pélvicas é a insuficiência das veias gonadais (uterinas e ovarianas). Quando as válvulas dessas veias deixam de funcionar, o sangue “reflui” e se acumula na pelve, aumentando a pressão local.

Fatores de Risco

  • Múltiplas gestações: O aumento do volume sanguíneo e a pressão do útero durante a gravidez podem danificar as veias permanentemente.
  • Fatores Hormonais: O estrogênio atua como um vasodilatador, o que explica por que a síndrome é rara após a menopausa.
  • Anatomia: Algumas mulheres possuem pré-disposição anatômica, como a compressão de veias ilíacas ou renais (Síndrome de Nutcracker).

Sintomas: Como identificar as varizes pélvicas?

Diferente da cólica menstrual comum, a dor da congestão pélvica possui características específicas:

  1. Dor Crônica: Desconforto persistente no baixo ventre por mais de 6 meses.
  2. Piora com a Postura: A dor aumenta após longos períodos em pé ou sentada e melhora ao deitar.
  3. Dispareunia: Dor durante ou, mais comumente, após a relação sexual.
  4. Irradiação: A sensação de peso pode irradiar para a região lombar, glúteos e coxas.
  5. Varizes Visíveis: Podem aparecer veias dilatadas na vulva, períneo ou na parte interna das coxas.

Diagnóstico Avançado na Cirurgia Vascular

O diagnóstico começa com a suspeita clínica e é confirmado por exames de imagem que avaliam o fluxo sanguíneo em tempo real:

  • Eco-Doppler Transvaginal: Frequentemente o primeiro exame, capaz de identificar veias dilatadas com refluxo.
  • Angiotomografia ou Angiorressonância: Excelentes para mapear a extensão das varizes e identificar compressões externas.
  • Flebografia Pélvica: Geralmente realizada no momento do tratamento, é o método mais preciso para visualizar as veias doentes.

Para um diagnóstico preciso e personalizado, conheça nossa estrutura clínica e exames disponíveis.

Tratamento Moderno: Embolização de Varizes Pélvicas

Antigamente, o tratamento envolvia cirurgias abertas ou até a remoção do útero (histerectomia). Hoje, o padrão-ouro é a Embolização Venosa Pélvica, um procedimento endovascular minimamente invasivo.

Como funciona a Embolização?

O cirurgião vascular insere um cateter fino por uma veia do braço ou da virilha. Sob visão de raio-X, o cateter é levado até as veias dilatadas na pelve. Pequenas molas (coils) de platina ou agentes esclerosantes são liberados para ocluir (“fechar”) as veias doentes. O sangue é então redirecionado para veias saudáveis, eliminando a congestão e a dor.

Característica Embolização Endovascular Cirurgia Tradicional
Anestesia Local com sedação leve Geral ou Raqui
Cicatriz Apenas um ponto de punção Cortes abdominais
Tempo de Recuperação 24 a 48 horas 15 a 30 dias
Preservação do Útero Sim Nem sempre

Vida após o Tratamento

A maioria das pacientes relata uma melhora significativa ou resolução completa da dor em poucas semanas após a embolização. Por ser um procedimento que não retira órgãos, a fertilidade é preservada. É essencial manter um acompanhamento com o especialista vascular para monitorar os resultados a longo prazo.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Varizes pélvicas dificultam a gravidez?

Não há evidências de que as varizes em si causem infertilidade, mas a dor intensa pode dificultar as relações sexuais. O tratamento (embolização) é seguro e preserva o útero para futuras gestações.

Quem tem varizes nas pernas terá varizes pélvicas?

Nem sempre, mas existe uma correlação. Se uma mulher tem varizes recorrentes nas pernas ou na vulva, as varizes pélvicas podem ser a fonte oculta do problema.

A embolização dói?

O procedimento é realizado sob sedação e anestesia local, sendo indolor. No pós-operatório imediato, pode haver uma leve cólica, facilmente controlada com analgésicos comuns.

Existe tratamento com remédios?

Medicamentos venotônicos e hormônios podem aliviar os sintomas temporariamente em casos leves, mas não eliminam as veias dilatadas já estabelecidas.

A dor pélvica pode voltar após a embolização?

A taxa de sucesso é muito alta (acima de 85%). Recorrências são raras, mas podem ocorrer se novas veias desenvolverem insuficiência ao longo dos anos.

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